Educação Inclusiva, AEE e o uso de Tecnologias Assistivas: caminhos para a aprendizagem de todos
A construção de uma escola inclusiva passa, necessariamente, pela adoção de práticas pedagógicas que respeitem a diversidade e rompam com barreiras que limitam a participação e a aprendizagem de estudantes com deficiência. Nesse contexto, o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e o uso de tecnologias assistivas (TA) tornam-se aliados importantes na garantia de uma educação verdadeiramente acessível.
O que são Tecnologias Assistivas?
Segundo o Comitê de Ajudas Técnicas (2009), tecnologias assistivas são recursos e serviços que têm como objetivo proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência, promovendo autonomia, inclusão e qualidade de vida. No campo educacional, isso pode incluir desde pranchas de comunicação, softwares leitores de tela, lupas eletrônicas, até aplicativos que auxiliam na organização e concentração.
A escolha das tecnologias deve ser feita de forma personalizada, considerando as necessidades específicas de cada estudante, seu contexto e os objetivos pedagógicos envolvidos (Mendes, 2006). Portanto, não basta disponibilizar ferramentas; é essencial garantir a mediação adequada do professor, principalmente no AEE.
O papel do AEE na mediação das tecnologias assistivas
O AEE, previsto pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), tem como missão identificar e organizar os recursos e estratégias que promovam o acesso ao currículo escolar. No caso das tecnologias assistivas, o AEE atua como espaço de experimentação, adaptação e desenvolvimento de práticas que favoreçam a aprendizagem e a participação dos estudantes.
Vilas Boas (2021) destaca que o professor do AEE deve atuar em parceria com a equipe pedagógica da escola, orientando sobre a utilização pedagógica das tecnologias e promovendo a articulação entre os recursos assistivos e as práticas inclusivas em sala de aula.
Exemplos de Tecnologias Assistivas no contexto escolar
- Para estudantes com deficiência visual: leitores de tela, impressoras Braille, softwares ampliadores de tela;
- Para estudantes com deficiência auditiva: sistemas FM, legendagem, aplicativos de transcrição de voz;
- Para estudantes com deficiência física: teclados adaptados, mouses alternativos, dispositivos de controle por voz;
- Para estudantes com TEA e deficiência intelectual: pranchas de comunicação alternativa, softwares com rotinas visuais, aplicativos com reforço positivo.
Esses recursos, quando bem integrados ao projeto pedagógico, favorecem o desenvolvimento da autonomia, da comunicação e da participação ativa dos alunos em todas as dimensões da vida escolar.
Formação docente e inclusão digital
O uso eficaz das tecnologias assistivas depende diretamente da formação dos professores. Mantoan (2006) reforça que o grande desafio da educação inclusiva é transformar a escola comum em um espaço que respeite as diferenças sem segregar. Nesse sentido, é fundamental que os docentes compreendam as funcionalidades das TA, saibam avaliá-las criticamente e estejam preparados para criar ambientes digitais acessíveis.
Além disso, é importante que as escolas contem com o suporte técnico e pedagógico necessário para manter e atualizar os recursos assistivos, além de garantir sua disponibilidade para todos os estudantes que deles necessitem.
Conclusão
As tecnologias assistivas representam uma das estratégias mais potentes para romper barreiras na aprendizagem de estudantes com deficiência. Porém, seu uso só será realmente efetivo se estiver articulado a uma proposta pedagógica inclusiva, ao trabalho colaborativo entre professores e ao compromisso institucional com o direito à educação de todos.
O AEE se consolida, assim, como um espaço de apoio fundamental para a inclusão, integrando recursos, metodologias e sensibilidades que garantam o acesso ao currículo e à cidadania plena.
Referências (ABNT NBR 6023:2018)
BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008.
BRASIL. Comitê de Ajudas Técnicas (CAT). Cartilha de Tecnologia Assistiva. Brasília: SDH/PR, 2009.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2006.
MENDES, Enicéia Gonçalves. A inclusão de alunos com deficiência: o que a escola pode fazer?. São Paulo: Summus, 2006.
VILAS BOAS, Rita. Educação especial na perspectiva inclusiva: práticas pedagógicas e formação docente. Campinas: Papirus, 2021.








